Secretaria Municipal do Clima de Niterói

Proposta de projeto de ensino sobre as mudanças climáticas na escola: pensar e agir com o cotidiano a partir dos riscos

por Associação dos Geógrafos Brasileiros – AGB

Resumo

As mudanças climáticas constituem um dos temas de maior apelo atualmente, sendo, portanto, o seu debate de fundamental relevância. As discussões acerca das mudanças climáticas na BNCC (2017) aparecem de forma muito tímida. A ocorrência do tema é apresentada apenas na área de Ciências Naturais, mas de modo pouco explorado, no campo da Educação Ambiental. O objetivo deste texto é apresentar uma proposta de projeto de ensino investigativo para a educação básica a respeito dos riscos climáticos locais que a escola pode estar exposta no contexto das mudanças climáticas. Essa proposta justifica-se devido à ausência na BNCC (2017) de propostas, projetos ou conteúdos de ensino que possibilitem a construção e articulação de práticas escolares com o tema. Almeja-se que a comunidade escolar possa estar envolvida tanto no conhecimento da sua própria realidade quanto na construção coletiva de conhecimentos escolares.

Problema a ser solucionado

No  contexto brasileiro,  no  ano  de  2009  foi instituída a Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC), pela sanção da Lei n° 12.187, de 29 de dezembro de 2009, por meio da qual o Brasil se  comprometeu,  voluntariamente,  com  a  redução  das  emissões  de gases de efeito estufa (GEE).

No mesmo ano, o estado de São Paulo sanciona a Lei Estadual nº 13.798, de 9 de novembro, com o propósito de, em seu art. 2° contribuir para tais emissões, em termos de ações de adaptação  aos  impactos  das  mudanças  climáticas,  bem  como  a redução e estabilização dos gases emitidos.

Descrição

Objetivo da atividade é avaliar criticamente as condições da escola e de seu território a possíveis exposições aos riscos climáticos locais. O  objetivo  traçado forja  um  perfil  de  sujeito  que,  à realidade  dos  riscos  climáticos,  esteja  apto  a  avaliar  a  situação, compreendendo as relações de forma mais complexa e multifacetada, identificando fatores e processos históricos, políticos e espaciais que conformam  ou  conformam  os  riscos  climáticos,  suplantando  e superando as relações de causa e consequência como normalmente é o senso comum.

Proposta de metodologia para o ensino investigativo dos riscos climáticos associados às mudanças climáticas na escola: 

Etapa 1: Apresentação da proposta;

Etapa 2: Organização de grupos;

Etapa 3: Elaboração  de  hipóteses  e  problematização  da  realidade socioespacial local;

Etapa 4: Pesquisa escolar sobre riscos climáticos;

Etapa 5: Discussão do conceito de risco climático;

Etapa 6: Atividade  de  campo  1 – Identificação  e  definição de riscos climáticos aos quais a escola pode estar exposta;

Etapa 7: Organização dos dados da atividade de campo no território da escola;

Etapa 8: Aula de campo 2 – Pesquisa sobre as condições estruturais da  escola  que podem  ser  afetadas  com  os  riscos  climáticos  locais identificados;

Etapa 9: Organização dos dados da atividade de campo na escola;

Etapa 10: Discussão  dos  conceitos  de  vulnerabilidade,  adaptação  e resiliência;

Etapa 11: Elaboração de propostas de intervenção na escola;

Etapa 12: Reflexão coletiva da atividade;

Foram estipuladas 12 etapas, que são apenas sugestões de organização  da  proposta.  Contudo,  respeitando  e  considerando a diversidade   das   escolas brasileiras, essas   etapas precisam ser discutidas com os sujeitos envolvidos e adaptadas às condições locais. Assim, certamente, a proposta pode ser ampliada, editada, de acordo com os interesses e objetivos traçados.

Associação dos Geógrafos Brasileiros - AGB

Responsáveis

Darlan da Conceição Neves, Rafael Vinicius São José e Rogério Visquetti de Santana

Anexos